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As Bolachas de Barro existem mesmo no Haiti ?

Logo que comecei a pesquisar e ler sobre o Haiti, depois de janeiro 2008, sempre ouvi falar (e ler) sobre as tais Bolachas de Barro que os haitianos comiam por causa da miséria e não terem nada mais para comer. Quando aqui pisei pela primeira vez, em julho de 2009, junto com Verônica, essa era uma das "coisas" que a gente planejou ver, mas, mesmo indo a umas oito comunidades diferentes, da Capital e no Interior, passado um dia inteiro com amigos militares dentro das Instalações do BRABAT, e ainda pernoitado na casa de amigos haitianos antes de retornarmos ao Brasil via República Dominicana, não nos deparamos com ninguém que as comesse ou mesmo vendesse.

Nas duas experiências seguintes (outubro 2010 e janeiro 2012) também não encontramos nenhum vestígio dos tais "biscoitos de barro haitianos". Mas, enfim, em 2014, durante um programa sócio-missionário desenvolvido em parceria com a 2ª Companhia de Força de Paz do BRABAT, em Cité Soleil que durou 5 dias, ao visitarmos as casas de várias famílias vizinhas à Escola onde servimos através de capacitações comunitárias, atendimentos médicos e atividades esportivo-recreativas nos deparamos com uma fábrica a céu aberto dos famosos biscoitos. Foi a primeira vez!

De lá pra cá o mito do biscoito de barro, que sempre foi difundido como parte do menu das famílias haitianas foi sendo desvendado, e, embora presente em alguns contextos bastante específicos, está claro para nós que aqui vivemos e servimos que biscoitos de barro são em parte mito, em parte hábito envolto em crenças populares desenvolvidas e mantidas na história do País.

A jornalista Luciana Garbin, enviada especial do Estadão para cobrir o encerramento das operações e atividades do Contingente Militar Brasileiro na MINUSTAH - Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, publicou uma matéria bastante lúcida e bem embasada sobre os biscoitos de barro que ainda podem ser encontrados no CEASA ou Mercado Venezuelano na região portuária da Capital. Vale a pena ler!

Parabenizo a Luciana pela coragem em fazer jornalismo sério e não apenas sensacionalismo midiático que lança mão de estratégias nefastas para vender imagem. Parabéns também ao Estadão por publicar esse belo relato de quem, ainda que por pouco tempo, andou no meio do povo e soube compartilhar o que viu e ouviu!

Leia mais: http://internacional.estadao.com.br/blogs/radar-global/diario-do-haiti-bolacha-de-barro-ajuda-na-economia-haitiana/

Yvoise paga escola dos cinco filhos e compra coisas para casa com a venda das bolachas de barro.
Foto: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

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