Pular para o conteúdo principal

ONU estuda opções para tirar tropas do Haiti a partir de 2016

BBC Brasil - Notícias

Luis Kawaguti
Da BBC Brasil em São Paulo


Missão da ONU no Haiti completou 10 anos neste mês

A ONU está estudando cinco opções para mudar as características da missão de paz no Haiti a partir de 2016. A maioria delas prevê a retirada do país das forças militares internacionais e o fim da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti). Isso pode incluir uma eventual saída das tropas brasileiras, que completaram no último domingo uma década de operação na nação caribenha.

A mudança da presença da ONU no país, porém, não significa que o organismo simplesmente deixará o país. A maioria das opções de retirada inclui o estabelecimento de uma missão política das Nações Unidas no Haiti e a passagem gradual da responsabilidade pela segurança da ONU para a Polícia Nacional do Haiti.

"É preciso lembrar que uma missão de paz deveria ter curta duração e que os objetivos são atuar em situações de instabilidade e insegurança. E podemos dizer que no Haiti estas metas foram alcançadas", disse o secretário-geral assistente de Operações de Paz da ONU, Edmond Mulet, à BBC Brasil na última sexta-feira.

A diminuição do contingente de tropas e policiais internacionais já vem ocorrendo. O ápice de pessoal ocorreu em 2010, logo após o terremoto de proporções catastróficas que matou cerca de 300 mil pessoas. Na ocasião, operaram no Haiti 8.940 militares e 4.391 policiais.

O mandato de 2014 prevê 5.021 militares e 2.601 policiais – o que corresponde a uma queda de 40% no total de pessoal.

A redução de recursos humanos é acompanhada por uma melhoria geral na situação de segurança do país. Desde 2007 não há um confronto militar significativo entre forças da ONU e insurgentes. Autoridades dizem acreditar que a maioria dos rebeldes e gangues criminosas se desmobilizou, saiu do país, ou foi presa ou morta pelas forças de paz.

No campo político, porém, a crise parece estar longe do fim. Há dois anos, os diversos partidos políticos não conseguem chegar a um acordo para eleger um novo Parlamento. Os congressistas atualmente atuam em número reduzidíssimo e com pouca representatividade.

Além disso, a não resolução das principais demandas sociais deu início em setembro do ano passado a uma série de manifestações populares que atualmente pedem a saída do presidente Michel Martelly.

Para adaptar as ações da comunidade internacional a esse novo contexto, um relatório recente do escritório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, determina a reestruturação da presença do organismo no país a partir de 2016.

Leia abaixo quais são as cinco opções avaliadas no relatório
Retirada militar total

Uma das hipóteses é a retirada total do pessoal militar e policial e o fechamento de todas as instalações regionais da ONU no país. Isso pressupõe que a polícia haitiana terá capacidade de operar sozinha, sem ajuda dos militares. Autoridades da missão dizem que a meta é ter 15 mil policiais haitianos formados e trabalhando até 2016.

Essa opção viria acompanhada da nomeação de um enviado especial da ONU ao Haiti para tentar resolver a crise política do país.
Missão política

Outra opção é acabar com o mandato da Minustah e estabelecer em seu lugar uma missão política especial, com capacidade para treinar e aumentar a capacidade da Polícia Nacional do Haiti.

A nova missão teria como foco a facilitação do processo político e a fiscalização do estado de direito e o respeito aos direitos humanos. Ela prevê a retirada dos capacetes azuis do país, o fechamento de instalações e a manutenção de um efetivo mínimo de polícia internacional, cuja tarefa seria treinar a polícia local.

Agências da ONU e mecanismos internacionais continuariam operando no país para dar suporte ao governo.
Nova missão de paz

Uma terceira opção prevê o fim do mandato da Minustah e o estabelecimento de uma nova missão de paz – menor e desta vez com um objetivo primariamente político e não de segurança.

Essa nova operação seria focada na facilitação do processo político, a fiscalização do estado de direito e a promoção e proteção dos direitos humanos – além de apoio operacional para a "manutenção de um ambiente estável".

Essa hipótese prevê a retirada total dos militares e a manutenção de unidades policiais internacionais capazes de garantir a segurança em episódios de crise. Uma parte do efetivo policial também seria destinada a treinar a Polícia Nacional do Haiti. Instalações civis da ONU seriam mantidas apenas em três ou quatro cidades.
Reserva militar estratégica

Há ainda a possibilidade de criação de uma nova missão de paz semelhante à opção anterior, mas com a diferença de possuir um único batalhão de forças de paz, de caráter estratégico.

Essa unidade militar seria altamente capacitada e teria aeronaves e recursos para enviar tropas para qualquer lugar do país em poucas horas. Ela operaria por um período inicial de um ano, sem participar de operações rotineiras de segurança - sendo acionada apenas em casos de emergência.
Continuação da Minustah

No outro extremo da curva, a ONU estuda a possibilidade de prolongar a Minustah. Porém, ela seria ajustada às novas necessidades, como um quadro de atividades e responsabilidades menor que o atual (que hoje possui todos os aspectos de uma missão multilateral completa e de grandes proporções).

Nesse caso, o número de tropas internacionais continuaria sendo diminuído gradualmente, mas o efetivo de forças policiais permaneceria inalterado.

Os braços civis da missão, que englobam agências humanitárias e órgãos políticos e administrativos, sofreriam uma redução – sendo concentrados em apenas quatro ou cinco das cidades mais populosas.

Postagens mais visitadas deste blog

As Bolachas de Barro existem mesmo no Haiti ?

Logo que comecei a pesquisar e ler sobre o Haiti, depois de janeiro 2008, sempre ouvi falar (e ler) sobre as tais Bolachas de Barro que os haitianos comiam por causa da miséria e não terem nada mais para comer. Quando aqui pisei pela primeira vez, em julho de 2009, junto com Verônica, essa era uma das "coisas" que a gente planejou ver, mas, mesmo indo a umas oito comunidades diferentes, da Capital e no Interior, passado um dia inteiro com amigos militares dentro das Instalações do BRABAT, e ainda pernoitado na casa de amigos haitianos antes de retornarmos ao Brasil via República Dominicana, não nos deparamos com ninguém que as comesse ou mesmo vendesse.

Nas duas experiências seguintes (outubro 2010 e janeiro 2012) também não encontramos nenhum vestígio dos tais "biscoitos de barro haitianos". Mas, enfim, em 2014, durante um programa sócio-missionário desenvolvido em parceria com a 2ª Companhia de Força de Paz do BRABAT, em Cité Soleil que durou 5 dias, ao visitarmo…

Moringa e Chocolate "Made in Haiti" chegam ao Mercado Norte-americano

Porto Príncipe, 25 de fevereiro de 2016.
Por Haiti Libre

Dois novos produtos haitianos estreiaram no mercado Norte-americano no começo de fevereiro através da Rede "Whole Foods Market", em escala nacional: a "Moringa Green Energy", das Indústrias Kuli Kuli, e as barras de chocolate "Taza Chocolate". Os ingredientes destes dois produtos são comprados diretamente de pequenos produtores agrícolas do Haiti. Este acesso direto ao Mercado, combina ajuda aos agricultores melhorando e desenvolvendo suas capacidades, o que significa um aumento da renda, e beneficiamento dos consumidores nos Estados Unidos de produtos de alta qualidade.
No caso da Moringa, a pioneira é a Organização sem fins lucrativos "Smallholder Farmers Alliance (SFA)", com o apoio da Fundação Clinton. E para os grãos de cacau utilizados na fabricação das barros de chocolate, é a Companhia "Produits des Iles S.A (PISA)".
"Nós ajudamos a conectar os agricultores haitianos di…

Brasil deixará Haiti em 2016: 'Serei o último a partir', diz general

Luis Kawaguti Da BBC Brasil em São Paulo
23 outubro 2015



"Em outubro de 2016, as últimas tropas da ONU vão partir do Haiti. Vou ficar para o último avião e encerrar a missão militar", afirma à BBC Brasil o general brasileiro Ajax Porto Pinheiro, que assumiu há cerca de dez dias o cargo de comandante-geral das forças da ONU no país caribenho e coordenará no próximo domingo a segurança das eleições presidenciais haitianas.

O Conselho de Segurança da ONU determinou neste mês que a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) termine no dia 15 de outubro de 2016, ocasião em que a comunidade internacional espera que um novo presidente haitiano já esteja exercendo seu mandato.

O Brasil comanda o setor militar da missão desde seu início em 2004. Até agora, o governo brasileiro previa que seus 850 militares começassem a voltar para casa em algum momento no ano que vem. Mas uma data oficial não havia sido estabelecida.

Até outubro de 2016, a missão será mantida com o …