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Invocação e Vocação Ministerial

Por João Pedro Gonçalves Araújo


“Rogai ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara”, Lc 10.2


Os evangelhos sinóticos parecem ser unânimes em mostrar que a vocação ministerial precede o próprio exercício do ministério. Antes de qualquer milagre, pregação ou ensino público, Jesus chamou homens para ajudá-lo. As vocações, outrossim, continuaram ao longo da vida de Cristo. Uma certa feita ele enviou setenta desses discípulos para uma missão de pregação, curas e libertação.

Não é sempre que atentamos para esses contínuos chamados. Parece, no entanto, que eles continuaram até perto da morte de Jesus. Nos últimos meses entre os homens, Jesus travou diálogos com alguns que alegaram algumas dificuldades em segui-lo. No entanto, ele os desafiou a segui-lo, e, mais que isso, pregar o evangelho. Quantos, então, Jesus chamou? Não sabemos. Mais de cem, certamente. Depois da sua morte, a comunidade dos discípulos já chegava a cento e vinte. Cleopas, José Barsabás e Matias são alguns dessa comunidade ampliada dos vocacionados. Mesmo depois de morto, continuou a chamar e vocacionar pessoas. Como não lembrar de Saulo?

Mas Jesus não apenas chamou. Ele mandou que os discípulos chamassem outros; mandou que orassem pedindo que Deus mandasse mais e mais obreiros. O que ele fez, queria que seus discípulos fizessem. Os discípulos levaram a sério o exemplo e o mandado. Naturalmente o leitor lembrou das duplas Moisés e Josué, Elias e Eliseu, numa referência ao AT. No NT, Pedro e André, Felipe e Natanael são exemplos de discípulos que chamam outros. Já bem cedo na história da Igreja, Marcos, Barnabé, Estêvão, Filipe, Tiago, Judas e Silas são citados como pregadores e auxiliares, exercendo diferentes dons e até mesmo realizando milagres.

De todos os seguidores, parece, ninguém foi mais pródigo a vocacionar tantas pessoas quanto Paulo. Mais de sessenta obreiros e cooperadores são citados nas suas cartas. Sabe-se que ele pessoalmente consagrava obreiros nas igrejas que fundava, além de enviar seus cooperadores mais próximos a que fizessem o mesmo nas novas igrejas, quer as tenha fundado ou não. Paulo era um vocacionado. Ele vocacionava outras pessoas. Ele encarregava a que seus vocacionados vocacionassem novos obreiros.

A partir do ministério e mandato de Jesus e o que foi praticado no ministério dos seus seguidores, pode-se pensar no seguinte princípio: tão prioritário quanto o exercício ministerial é a vocação e a invocação por novos obreiros. Outro princípio igualmente importante: a vocação e invocação por novos obreiros é melhormente feito por quem está envolvido diretamente no ministério. O exercício do ministério pessoal, a oração e a invocação a que Deus vocacione novos obreiros são parte de uma mesma tarefa. Só quem realmente está engajado na obra do ministério sabe o privilégio de tal tarefa e sente a necessidade de que muito mais pessoas se engajem profundamente na mesma tarefa.

A tarefa de missões, tão cara aos batistas, só pode ser completamente cumprida se, ao mesmo tempo em que se cumpre o ide, a invocação da vocação seja igual e simultaneamente cumpridas. A invocação pela vocação e o exercício da vocação são igualmente mandatos de Jesus, dois lados de uma mesma moeda, duas pernas de um mesmo corpo, duas ações de uma mesma tarefa. Missão sem vocação cria um déficit de obreiros. Vocação sem missão cria um inchaço de obreiros.

Tão importante quanto invocar por novos obreiros é vocacionar ou ajudar a despertar novas vocações. Além dessas duas tarefas, há uma outra associada: a preparação para o ministério dos vocacionados. É contraditório que vocacionados orem e chamem novos vocacionados e estes sejam preparados por quem não está, de alguma forma, engajado em tais tarefas, ou no mesmo “clima”. Tão importante quanto invocar e ajudar a despertar novas vocações é a tarefa de preparar os vocacionados. Invocar e despertar novas vocações são tarefas de vocacionados e engajados no ministério da Palavra. Porquê, então, esperaríamos que fosse diferente?

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Pr. João Pedro é o pastor titular da Igreja Batista no Lago Sul, em Brasília/DF, graduado em Filosofia e Teologia, Mestre em Ciências da Religião e Doutor em Sociologia.

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