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Morador de Ferraz de Vasconcelos ajuda na reconstrução do Haiti

G1

Ele faz parte de missão da ONU que atua no país.
Terremoto destruiu o local em 2010.


Desde o terremoto de 2010 que deixou mais de 250 mil mortos, entre eles, 20 brasileiros o Haiti é um país em reconstrução. Para isso conta com a ajuda humanitária de mais de 50 países, inclusive o Brasil. Os habitantes do Alto Tietê também estão nessa luta.

Gilmar de Souza Fernandes é cabo da Força Aérea Brasileira. Ele é morador de Ferraz de Vasconcelos e saiu do município para atuar nas Forças Armadas. Fernandes conta que seu grande sonho sempre foi servir em uma missão de paz. Há dois meses, ele trabalha na capital do Haiti, Porto Príncipe, na Missão da Organização das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah). A missão é formada por mais de 6 mil militares de 18 países. “É uma imensa satisfação estar aqui, representando Ferraz de Vasconcelos e o Alto Tietê. Há nove anos estou na Força Aérea e servir nessa missão é a realização de um sonho”, afirma o cabo.

Apesar de todas as dificuldades que enfrenta no Haiti, Fernandes diz que ajudar o povo haitiano é uma imensa alegria. “Quando eu vejo o sorriso de uma criança haitiana, recarrego as baterias.” Fernandes encontra na satisfação do trabalho uma forma de driblar a saudade que sente de Ferraz de Vasconcelos. "Porto Príncipe e Ferraz de Vasconcelos são duas cidades com características semelhantes. As mesmas dificuldades que vejo na minha cidade encontro aqui também. Mas, no fundo, tudo é novidade e a cada dia é um trabalho diferente. Eu nunca imaginei estar aqui”, detalha o cabo da Força Aérea.

Fernandes assim como os outros militares são chefiados na Minustah pelo general brasileiro Edson Leal Pujol. "A importância das Nações Unidas se fazerem presentes aqui, de enviarem uma missão é na tentativa de ajudar o governo haitiano, ajudar o país a se fortalecer e se reestruturar para dar condições de prosseguir em busca de um futuro melhor!", explica Pujol. O contingente de brasileiros é o maior de todos com 1,4 mil militares.

O trabalho dos integrantes da Minustah não é fácil. Apesar de estar no Caribe rodeado por um mar de azul cristalino, o Haiti é um país marcado pelo caos e pela tragédia. Além do pior terremoto do século em 2010, os furacões arrasam cidades inteiras, sendo uma média de 20 por ano. Segundo a Minustah, dos 9,8 milhões de habitantes, 90% não têm energia elétrica, 80% não possuem água encanada, 70% estão desempregados e mais da metade são analfabetos.

Cotidiano

A Minustah transformou uma antiga fortaleza de 1794, um dos pontos mais altos de Porto Príncipe, no “Forte Nacional”. No local é possível avistar o porto do Haiti, o centro urbano e a Catedral de Notre Dame destruída pelo terremoto. “Nós nos encontramos no centro, inseridos na área de responsabilidade do batalhão. Nós temos condições de observar não só a nossa área como também as áreas de outras companhias podendo comunicar oportunamente o comando do batalhão sobre qualquer fato e até mesmo intervir prontamente se preciso for”, explica o capitão e subcomandante da 1ª Companhia de fuzileiros da Força de Paz, Túlio Pires Barbosa.

Ruas da área central de Porto Príncipe são apertadas
(Foto: Willian Tanida/TV Diário)

A principal atividade dos brasileiros no Haiti são as patrulhas. Isso porque a polícia haitiana ainda não tem condições de, sozinha, garantir a segurança.

O trânsito nas ruas de Porto Príncipe é caótico e sem nenhum respeito. Não há transporte público, a população se vira como pode nos "tap taps" ônibus extravagantemente decorados à moda haitiana.

Muitos passageiros corajosos vão pendurados em caminhonetes adaptadas e até em cima de caminhões. Em algumas motos é possível ver até três 3 pessoas. Nos horários de pico, 1 quilômetro pode demorar até mais de duas horas para ser percorrido embaixo de um calor de 40 graus na sombra o dia inteiro.

Esgoto forma pequenas lagoas na área do Mercado Salomão
(Foto: Willian Tanida/TV Diário)

Se o transporte é improvisado, o comércio não fica para trás. Um dos principais centros de compra da capital haitiana é o "Mercado Salomão".

Os produtos ficam espalhados no chão acondicionados em cestas e balaios. Mesmo com alimentos repletos de moscas e vendidos ao lado de poças com água de esgoto, o mercado ainda é considerado um dos mais organizados da cidade.

Outro local muito popular para compras é o “Mercado da Venezuela” também conhecido como “Cozinha do Inferno”. A ideia do espaço foi dos venezuelanos e a característica principal do local é que os vendedores carregam na cabeça seus produtos. O apelido o mercado ganhou por causa de matadouro que fica na mesma área e que usa métodos cruéis, segundo os haitianos, no abate dos animais.

A atuação da Minustah não fica restrita apenas a capital do Haiti. Eles também circulam por outros municípios, como Cité Soleil. Segundo a Missão das Nações Unidas, a cidade é uma das mais complicadas para o patrulhamento por causa dos becos estreitos. “É difícil mapear esses becos. A população também às vezes coagida pode estar escondendo criminosos e eles se misturam em meio a população. Assim fica meio difícil identificá-los. O calor também atrapalha um pouco”, diz o capitão Victor Berbardes de Faria.

Biscoitos de lama do Haiti
(Foto: Reprodução/TV Diário)

É em um dos becos de Cité Soleil que a situação de miséria do Haiti se materializa. Alguns moradores do local montaram uma fábrica de biscoitos. Mas, o espanto é em relação a matéria-prima principal do produto: lama.

Os haitianos misturam barro, manteiga, sal e água. E depois de misturar os “ingredientes” e dar o formato do biscoito, eles são colocados ao sol para secar. A família responsável pela fábrica informa que produz cerca de 2,5 mil biscoitos por dia. Eles vendem seis unidades por US$ 1.

Produtos são vendidos no chão no Mercado Salomão
(Foto: Willian Tanida/TV Diário)

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