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ONU anuncia nova chefe da Missão de Estabilização no Haiti

Rede Brasil Atual
por nicolau publicado 31/05/2013 17:02

Diplomata Sandra Honoré, de Trinidad e Tobago, assumirá no dia 15 de julho cargo na missão que tem grande participação brasileira


OEA/JUAN MANUEL HERRERA

Diplomata de carreira, Sandra Honoré trabalhou na OEA
e foi embaixadora de Trinidad e Tobago na Costa Rica


São Paulo - A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu a diplomata Sandra Honoré, de Trinidad e Tobago, como representante especial e chefe da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah). O anúncio foi feito hoje (31), pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Liderada militarmente pelo Brasil, as forças de paz estão no país desde 2004.

Honoré assumirá o cargo no dia 15 de julho de 2013, no lugar do chileno Mariano Fernández Amunátegui, que completou sua missão em 31 de janeiro de 2013. O secretário-geral agradeceu a determinação e liderança de Amunátegui na Minustah durante um período crítico para o Haiti, quando houve a transição para um novo governo. Ban Ki-moon também expressou gratidão ao líder interino da missão, o canadense Nigel Fisher.

A diplomata atuou como chefe de gabinete do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) de 2000 a 2005 e foi também assessora do chefe da missão de observação eleitoral da OEA no Haiti, entre 1995 a 1996. Diplomata de carreira desde 1979, Honoré foi embaixadora de Trinidad e Tobago na Costa Rica até agosto de 2012. Entre 1983 e 1988, ela serviu na missão diplomática no Brasil.
Saída até 2016

À frente da missão desde janeiro, Fisher destacou em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) os avanços da empreitada para a manutenção da paz no país caribenho e os desafios a serem superados. Segundo ele, é preciso estabelecer metas até 2016 com base na consolidação do Estado de Direito; no fortalecimento da Polícia Nacional do Haiti; na transferência da gestão eleitoral e na governança. "A redução (no efetivo da ONU no Haiti) deve ser realizada em coordenação com as autoridades haitianas tendo em conta, por exemplo, que um país como o Haiti, com 10 milhões de habitantes, deve ter um efetivo de pelo menos 16 mil policiais. Hoje, tem pouco mais de 10 mil. Uma das metas que estabelecemos neste plano de consolidação é chegar a 2016 com uma força de pelo menos 15 mil policiais", avaliou.

Fisher incluiu entre os resultados da missão ter ajudado o país a consolidar instituições democráticas e fortalecer o Estado de Direito. "Pela primeira vez na história do Haiti, um presidente eleito democraticamente – René Préval – chegou ao fim de seu mandato e, após eleições nacionais – não sem desafios – entregou o poder a um candidato da oposição, o atual presidente Michel Martelly, de modo relativamente pacífico", destaca.

O canadense elogiou o que classificou como "papel-chave" desenvolvido pelo Brasil no Haiti, que vai além de ser o maior contribuinte de tropas para a missão. "É admirável como o governo da presidente Dilma Rousseff tem estabelecido pontes de cooperação em diferentes áreas, tanto social quanto econômica, incluindo o apoio que a sociedade civil brasileira presta aos haitianos", afirmou.
Participação brasileira

Na última semana, o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, esteve no Brasil para discutir uma série de projetos de parcerias nas áreas de educação, tecnologia, ciência, infraestrutura e saúde, além de energia, segurança alimentar, inclusão social e biocombustíveis.

Em relação à retirada gradual das tropas estrangeiras da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), Lamothe confirmou que deve ser obedecido o cronograma fixado até 2016. Paralelamente, será reforçada a polícia nacional, cuja formação está em curso. As Forças Armadas do Brasil lideram as Forças de Paz da ONU presentes no país desde 2004, após as rebeliões que resultaram na queda do presidente Jean-Bertrand Aristide.

Segundo Lamothe, o Haiti superou várias dificuldades, oriundas da destruição causada pelo terremoto de janeiro de 2010 que matou mais de 220 mil pessoas, mas ainda necessita de ajuda internacional. De acordo com ele, é fundamental o apoio da comunidade estrangeira nas áreas de educação, reconstrução física, combate à pobreza extrema e produção energética. “Sempre respeitando a soberania”, disse.

Além da presença militar, o Brasil tem desenvolvido uma série de programas de cooperação com o país, especialmente após o terremoto. Na ocasião, integrou a Comissão Interina para Reconstrução do país e foi a primeira nação a contribuir para o Fundo de Reconstrução.

É esperada para o fim do mês a inauguração do primeiro hospital comunitário de referência, construído pela parceria dos governos do Brasil, de Cuba e do Haiti, em Bons Repos, na região metropolitana de Porto Príncipe, capital haitiana.

No total, serão construídas três unidades hospitalares, que ficarão nas regiões de Bons Repos, Beudet e Carrefour. Também está em construção o Instituto Brasil-Haiti de Reabilitação de Pessoas com Deficiência, em Porto Príncipe, a capital do país.

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