Pular para o conteúdo principal

Turismo: Todos os caminhos levam ao Haiti « Notícias do Haiti

Turismo - Notícias do Haiti

Primeiro país a abolir a escravidão nas Américas. Exemplo de luta. Para desmistificar a imagem negativa que constroem sobre ele, temos que conhecê-lo.

Pouco a pouco, as cidades vão recuperando a normalidade e os lugares que albergavam certa atividade social e cultural voltam a vibrar


Por Adrian R. Morales | Foto Claudia Veras | Edição 0011 da revista SDQ

Porto Príncipe

A capital haitiana não descansa, é um fervedouro de gente que vai de um lado para o outro, no estilo de outras capitais como Nova Deli ou Bangkok, mas com sabor de Caribe, com dias de sol forte e noites escuras com luzes tênues que provêm dos vendedores ambulantes. O sorriso de seus habitantes é contagioso, assim como a intensidade da vida cotidiana. A simples vista ressalta um peculiar e colorido modelo de transporte público, o tap tap, batizado assim pelo barulho de seu motor. A cidade supera um milhão de habitantes e se expande às alturas.

Outra atração popular é o Barbancourt Rum Distillery, em funcionamento desde 1765, nas aforas de Porto Príncipe. Interessante é a lenda do Castelo de Barbancourt, do fabricante de perfumes alemão Rudolph Linge e de sua esposa Jane Babancourt. O desenho da moradia está baseado no castelo do filme Cinderela, do Walt Disney. O edifício agora é um monumento a Linge, que faleceu em 1991.

Afastando-se do centro, se dirige ao bairro administrativo, no qual se destaca o Palácio Nacional – réplica do Petit Palais de Versalhes –, que foi seriamente danificado pelo terremoto. Na Esplanada dos Heróis da Independência estão exibidas as estátuas dos fundadores do Haiti, mas a mais amada pelo povo é a do Marron Inconnu, o escravo rebelde, símbolo dos levantamentos contra as opressões.

O Palácio Nacional está rodeado pela praça Champ de Mars, salpicada de edifícios construídos nos anos 30. Nela se encontra o Museu de Arte do Panteão Nacional, a Casa Defly – construção do início do século XX – e a Catedral da Santa Trindade. Atrás da Champ de Mars, está o Bois Verna, bairro aristocrático da cidade até os anos 50. Em Pacot, encontramos um paraíso de casas “gingerbread”. Delas, a Casa Cordasco e Peabody são as mais representativas. Do alto da montanha de Boutilliers, as vistas de Porto Príncipe e dos pores do sol não podem ser melhores.

Dizimado por um incêndio em 2008 e destruído pelo terremoto de 2010, o Marche-en-Fer (Mercado de Ferro) volta a exibir toda sua grandeza graças a uma reconstrução propiciada pelo escritório londrino de arquitetos John McAslan + Partners. O icônico lugar de Porto Príncipe foi construído na década de 1890, em Paris. Inicialmente, estava destinado a ser parte de uma estação ferroviária no Cairo, mas o presidente haitiano Florvil Hyppolite o adquiriu quando o acordo egípcio não se concretizou.

Esta colméia de atividade comercial reúne a uns 900 homens e mulheres trabalhadores que representam o motor econômico de muitas famílias e se dedicam à venta de artesanatos, frutas, hortaliças, produtos de beleza e higiene.

Entre os principais hotéis de Porto Príncipe estão o Villa Creole, El Rancho, Kinam, Le Doux Sejour, La Reserve e Vue La Montagne Lodge.

Pétionville

É quase imperceptível quando deixamos de estar em Porto Príncipe e nos encontramos em Pétionville. Como turista é difícil percebê-lo, mas talvez nos demos conta quando começamos a descer e chegamos a uma vizinhança mais residencial que encanta por suas flores, luxuosas vilas, elegantes restaurantes, discotecas e hotéis maior porte. O parque principal é o São Pedro, onde se encontra uma igreja de mesmo nome. Uma grande fonte de água dá vida ao local e é um convite à permanência. Na Catedral da Santa Trindade, o visitante pode observar murais bíblicos que descrevem a eclosão da arte naif nos anos 40.

Pétionville, a somente 15 minutos do centro, é um dos lugares mais visitados do país por turistas locais e estrangeiros. Esta comunidade evoca a dominação francesa e revela parte da história do Haiti. Aqui se respira arte entre tantos museus e galerias a escolha. Localizada em uma colina a 450 metros do nível do mar, oferece uma impressionante vista dos arredores. Muitos turistas preferem se hospedar neste distrito de luxo por seus restaurantes modernos, lojas de moda e casas noturnas. A maioria das embaixadas tem sua sede aqui.

Entre os lugares de hospedagem de Pétionville estão os hotéis Plaza (antigo Holiday Inn), Hibdelé, Karibe e Bambú, um hotel boutique de luxo de apenas sete quartos, que atrai hóspedes como o ex-presidente dos Eua, Bill Clinton.

Jacmel

Antes do terremoto, Jacmel era uma das cidades mais prósperas do Haiti, com consideráveis atrações turísticas, incluindo seu famoso carnaval, colorido com máscaras de papel machê. O belo município portuário, a cerca de 40 quilômetros ao sul de Porto Príncipe, tinha una população estimada em 40 mil habitantes. Mas os enormes estragos causados pelo forte tremor não apagaram seu encanto de cidade colonial.

Saindo da capital por sua porta ao sul, começa o caminho que dirige a Jacmel. Fundada como cidade em 1698 pelos espanhóis, o local era chamado de Yaquimel pelos tainos, povo originário da região, dizimado após a chegada dos europeus. Após atravessar belas paisagens montanhosas, chega-se à majestosa baía que dá nome à cidade, uma diminuta pérola que parece se encolher entre o mar as alturas, mantendo o esplendor que a caracterizou séculos atrás.

Ainda hoje é possível apreciar suas casas com varandas de ferro fundido que denunciam o passado colonial, na época em que o comércio do café viveu sua idade de ouro. Hoje é uma pequena comunidade de artistas haitianos, europeus e norte-americanos.

A atual reconstrução inclui grandes projetos turísticos que vão dar um ar mais moderno – sem perder seu caráter afrancesado –, com ruas exclusivas para pedestres, restaurantes, hotéis pequenos, lojas de artesanatos e galerias de arte.

O Hotel Florita é um dos lugares emblemáticos de Jacmel. Este edifício de quatro andares em madeira e pedra, de cor branca e azul celeste, oferece o típico ar de casa colonial. Sofreu graves estragos com o terremoto, principalmente nas paredes laterais que tiveram que ser restauradas. Entrar em seu enorme lobby – que também funciona como galeria de arte – nos transporta no tempo. É difícil esquecer seu pátio colônia, que parece um cenário de romance. Outro de seus atrativos arquitetônicos é sua elegante escada, na qual famosos estilistas como Donna Karan realizaram sessões de fotos para suas coleções.

Kenscoff

É um lugar de veraneio, nas montanhas, a 25 minutos de Pétionville. Depois do terremoto, cada vez mais pessoas fizeram deste local, que não sofreu estragos, sua residência permanente. A zona é cheia de plantações agrícolas devido ao seu clima e possui um mercado de frutas colhidas na zona.

Nas imediações estão os fortes Jacques e Alexandre, construídos no período colonial contra os ataques de franceses e piratas. Um túnel subterrâneo e cavernas secretas formam parte da fortificação, vista de Pétionville. Do Jacques, pode-se ver o maior lago do país, o Lago Azuei, também conhecido como Etang Saumâtre. Com águas intensamente azuis rodeadas de cactos, é o maior lago do país e hábitat de mais de 100 espécies de aves aquáticas, tartarugas, iguanas, crocodilos, flamingos e outros animais.

O hotel mais conhecido é o Fleurville, de grande tradição dominical e famoso por seu delicioso coquetel de rum. Muitos habitantes de Pétionville e Porto Príncipe passam o dia em família no local.

Cap-Haïtien

Cap-Haïtien, segunda cidade mais importante do Haiti e centro econômico do norte do país, não sofreu danos com o terremoto. Com verdes margens banhadas pelo Atlântico, este maravilhoso destino combina centros históricos tanto desta cidade como de Fort Liberté, as ruínas do palácio de Sans Souci e a fortaleza de La Citadelle, com a espetacular baía de Labadie.

A que antigamente foi capital da colônia – e que também foi chamada de Paris do Novo Mundo – é hoje uma pequena e pitoresca cidade portuária, cheia de vitalidade e gente amável. Os casarões conservam seu encanto e o traçado urbano remete ao século XIX, época do rei Christophe. O visitante também poderá contemplar o ponto onde Cristovam Colombo ancorou seus navios em 21 de dezembro de 1492, em sua primeira viagem ao novo mundo.

Os quadros naif da famosa Escola de Cap-Haïtien são uma boa opção de suvenires.

Perto de Cap-Haïtien se encontram as praias de Cormier e Labadie. Esta última, localizada em uma faixa de terra no isolado Pointe St. Honoré, é um paraíso tropical ideal para atividades aquáticas como nadar e mergulhar. O acesso ao local é exclusivamente por barcos. Também é possível viajar à ilha Tortuga, antiga capital de piratas e corsários no Caribe.

Os principais hotéis de Cap-Haïtien são o Mont-Jolie e o Roi Cristophe, localizados frente ao mar. Há outras opções de similar encanto, como o Cormier Plage e o Auberge au Picolet.

Sul

A zona sul do Haiti possui mais águas e terras mais ricas e mais verdes, ao contrário do norte que é mais desértico. O sul é um destino estupendo para quem procura beleza de românticas praias virgens, de areias brancas e água cristalina, como as da Île à Vache (Ilha da Vaca).

No sul também está Port Salut, que além de lindas praias conta com as maravilhosas covas de Marie Jeanne, um antigo refúgio dos tainos, em Port-a-Piment. Este labirinto espeleológico é o maior já descoberto no Haiti, com cinco quilômetros de comprimento e uma galeria de três níveis. Acompanhados de um guia, um bom trecho pode ser explorado em quatro ou cinco horas, para apreciar suas incríveis estalagmites e estalactites.

Do ponto onde se estaciona o transporte até a entrada do local, há um percurso a pé de pouco mais de um quilômetro. A majestosa vista das covas Marie Jeanne faz com que o visitante não pense no terreno escarpado. O guia explica como o lugar foi sendo adaptado para se tornar uma atração turística e que há séculos as covas estavam cobertas pelo mar.

Entre as figuras impressionantes formadas pelas rochas, uma se destaca, por parecer um mamute justo na entrada da primeira câmara subterrânea. Somente dois dos três níveis são abertos ao público. O acesso ao terceiro está reservado para escaladores experientes e uma equipe de pesquisadores e conservadores.

É na comuna de Île à Vache onde se localizam os hotéis boutique Port Morgan (de donos franceses) e Abaka Bay Resort (de donos haitianos).

La Citadelle

La Citadelle La Ferrière, chamada assim pelo engenheiro que a projetou, constitui não só o maior edifício militar do Novo Mundo, como tambén a oitava maravilha do mundo moderno, segundo não poucos especialistas, como Frantz Large Nader, membro da Associação Internacional de Críticos de Arte.

A inexpugnável fortaleza, com aparência de barco de guerra que se sobressai entre as nuvens, se projeta no alto de Pic La Laferrière, a 900 metros de altura, sobre as planícies do norte do Haiti. Algumas pessoas garantem que dali é possível observar a costa leste de Cuba em um dia claro.

Cerca de 20 mil pessoas se encarregaram de erguê-la entre 1805 e 1820 por ordens do rei Henri Christophe – auto-proclamado rei Henry I do Haiti–, como parte de um sistema de fortificações criado para manter a recém ganha independência, contra novos ataques da França.

Para unir as pedras com as quais se construiu a fortaleza, foi utilizada uma mistura de cal, melaço e sangue de vacas e bodes, que eram sacrificados derramando seu sangue nas paredes em construção, supostamente para que os espíritos e deuses da religião vodu dessem poder e proteção à estrutura.

A visita às ruínas permite contemplar os 365 canhões – o mesmo número de portas do Palácio de Sans-Souci –, os quartéis, a galeria do rei e a galeria da rainha, uma prova de que no caso de uma invasão francesa, o rei haitiano planejava utilizar a fortaleza como abrigo. A subida à Citadelle deve ser feita bem cedo, já que o sol forte torna a excursão mais difícil, dando a impressão de ser uma subida quase vertical.

Dados práticos para o turista

Como chegar:

O principal aeroporto é o Toussaint Louverture, em Porto Príncipe, onde aterrissam vôos da Air France, American Airlines e Copa Airlines, entre outras. Outra opção é ir de ônibus, a partir da República Dominicana. As companhias Caribe Tours e Terra Bus viajam entre as capitais dos dois países. Algumas levam de Santo Domingo, capital dominicana a Cap-Haïtien.

Transporte

No aeroporto há táxis durante todo o dia. As principais agências de viagens oferecem serviços de micro-ônibus com ar condicionado. Para se transportar pela cidade, é possível combinar de antemão com um taxista. O transporte mais barato e típico é o tap tap. Alugar um carro é outra possibilidade, para quem possui carteira de motorista internacional. Importantes empresas de aluguéis de carro possuem escritórios em Porto Príncipe, como a Secom (www.secomhaiti.com).

Moeda

A moeda oficial é o Gourde haitiano (HTG). É recomendável levar dólares americanos, que são aceitáveis e podem ser trocados em todo o país. Um dólar equivale a cerca de 41 gourdes. Somente alguns bancos trabalham com câmbio de outras moedas estrangeiras.

Postagens mais visitadas deste blog

Sopa Receita Joumou - Sopa da Liberdade!

Pra quem gosta de cultura e culinária, ta aí a Sopa da Liberdade!
Era um prato dos Colonizadores, e os escravos não tinham acesso, até à sua Independência. A partir daí, anualmente, no dia 1º de Janeiro (Dia da Independência) eles a celebram degustando essa prato tipicamente Haitiano. Uma boa dica para as Feiras Missionárias no Brasil!
Sopa Receita Joumou
Sexta-feira, 4 de marco de 2011 16:24



O prato monumental da Revolução haitiana, Sopa Joumou, sopa de abóbora, E o Prato De conquistadores. E tradicionalmente servido no Dia da Independência do Haiti, 01 de janeiro, Como hum começo Saudável par o Outro ANO.

Ingredientes
- 1 kg de carne faça Pescoço OU rabo de boi
- 1/2 limão
- Sal fino
- Esmagado pimenta preta
- Água (Suficiente parágrafo cobrir uma carne; Mais Água podem Ser adicionados Mais Tarde parágrafo ajustar uma consistência)
- 2 kg abóbora, descascados e cubbed (alternadamente, utilizar abóbora enlatada)
- 1 cebola Pequena Cortada los cubos
- 2 Talos cebolinha verde picada
- 4 Dentes de…

Pós Furacão Matthew... oportunidade de fazer a diferença!

Nossa família e Equipe missionária estão bem, graças a Deus!
Já estivemos lá na região analisando os danos, prestando uma ajuda inicial a algumas famílias, e elaboramos uma proposta de Plano de Ação Emergencial para nossa agência. Estamos aguardando a decisão do Gabinete de Crise da Junta para agir em favor das vítimas. Ore por isso, ok?
Nesse momento o que é mais urgente é alimento e a restauração dos telhados e casas afetadas pelos ventos. Como a logística de armazenamento, transporte e envio do Brasil para o Haiti é bastante cara, demorada e vulnerável a questões aduaneiras, nossa sugestão é para que enviem recursos financeiros, e o que for arrecadado aí, como roupas, sapatos e outros itens, vocês realizem Bazares e Eventos (almoços ou jantares) para reverter os itens arrecadados em recurso financeiro que será bem mais facilmente transferido e revertido aqui na economia local, em alimentos e materiais de construção.
Para ajudar:
1) Através do "Ajude Agora Haiti" coordenad…

Moringa e Chocolate "Made in Haiti" chegam ao Mercado Norte-americano

Porto Príncipe, 25 de fevereiro de 2016.
Por Haiti Libre

Dois novos produtos haitianos estreiaram no mercado Norte-americano no começo de fevereiro através da Rede "Whole Foods Market", em escala nacional: a "Moringa Green Energy", das Indústrias Kuli Kuli, e as barras de chocolate "Taza Chocolate". Os ingredientes destes dois produtos são comprados diretamente de pequenos produtores agrícolas do Haiti. Este acesso direto ao Mercado, combina ajuda aos agricultores melhorando e desenvolvendo suas capacidades, o que significa um aumento da renda, e beneficiamento dos consumidores nos Estados Unidos de produtos de alta qualidade.
No caso da Moringa, a pioneira é a Organização sem fins lucrativos "Smallholder Farmers Alliance (SFA)", com o apoio da Fundação Clinton. E para os grãos de cacau utilizados na fabricação das barros de chocolate, é a Companhia "Produits des Iles S.A (PISA)".
"Nós ajudamos a conectar os agricultores haitianos di…