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Vim, vi e conferi!

A reconstrução do Haiti está acontecendo... eu e a família "fomos", vimos e conferimos!


Em nossa primeira expedição ao Norte e Nordeste do Haiti, durante os dias 17 e 22 de dezembro, tivemos a oportunidade de conferir o que tem (e o que não tem) acontecido em prol da reconstrução do Haiti - não apenas pós "12 de Janeiro", mas, pós estabilização civil e política dos últimos anos.



Rodovia Nacional # 1


A primeira observação (tecnicamente falando) foi a novíssima rodovia Nacional # 1, ligando a capital Porto Príncipe, no Ouest, à 3º maior cidade do país, Gonaïves, no Departamento de Artibonite (Centro do País). Asfalto novo, sinalização horizontal e vertical, segurança dentro dos perímetros urbanos proporcionam aos viajantes realizar o trajeto de 153 km em pouco mais de duas horas com segurança e conforto, comuns às auto-estradas bem cuidadas em qualquer outro país.

Vale a pena acrescentar o excelente estado do pavimento asfáltico que liga Cabo Haitiano à fronteira com a República Dominicana - Ouanaminthe / Dijábon, proporcionando uma importante rota comercial e turística entre os dois países. Visualizamos, mais de uma vez, carros de aluguel com "brancos", estrangeiros, percorrendo a Rota Nacional # 6.




Nova Universidade do Haiti

O segundo projeto realizado e em funcionamento observado foi a nova Universidade do Haiti, no "município" de Limonade, próximo à Cab Haitian. Uma grande estrutura de prédios e complexos acadêmicos torna a paisagem ainda mais inspirativa àqueles que trabalham e esperam Por Um Novo Haiti. Uma parceria com o Governo da República Dominicana permitiram que uma grande quantidade de jovens do Norte e Nordeste Haitianos ingressassem no Ensino Superior. Todos os dias, ao passarmos em frente à Universidade, éramos obrigados a reduzir a velocidade e estar atentos às centenas de alunos que estavam às margens da rodovia, ou chegando de tap-tap, ou esperando algum para o seu retorno.



Parque Industrial de Caracol

Outro fato observado por nossa família, durante os dias entre idas e vindas entre o Norte e Nordeste Haitianos, foi a implementação e grande movimento de pessoas no novíssimo Parque Industrial de Caracol, onde esse ano o ex-Presidente Americano Bill Clinton, e sua esposa, inauguraram esse importante complexo industrial e portuário para alavancar a economia da região e proporcionar trabalho. Nos horários de pico de entrada e saída de funcionários, o movimento às margens da rodovia é intenso, semelhante aos dos calçadões de comércio nos centros das grandes cidades.





Complexos Habitacionais

Um quarto projeto que chamou bastante a atenção são os complexos habitacionais construídos ao longo da Nacional # 6, e relativamente próximas aos projetos mencionados. São 300, 400, 500 casas construídas para distribuição à população de baixa renda, à semelhança de programas do Governo Brasileiro como o "Casa Minha". Segundo alguns moradores da região, várias famílias favorecidas são remanescentes dos desabrigados do terremoto de 2010.



Potencial Histórico-Turístico

Porém, o meu preferido e pelo qual preciso conter (confesso) minha empolgação, é o potencial histórico-turístico da região Norte-Nordeste do Haiti.

Ficamos hospedados na casa de uma família haitiana que adaptou a construção de dois pisos para se tornar uma pousada. Simples, confortável e segura, tivemos o privilégio de pernoitar ao longo da semana na Ville de Fort-Liberté, o último reduto francês conquistado pelos líderes da Revolução Haitiana que culminou na proclamação da Independência em 1º de Janeiro de 1804. Percorrer as ruas, ver obras sendo realizadas pela Marie (Prefeitura) a fim de melhorar as condições turísticas da pequena vila, e visitar as ruínas do Fort Saint-Joseph (diga-se de passagem, que estas estão sendo cuidadas, voluntariamente, por um senhor destemido e guerreiro que mantém o ambiente limpo e organizado - além de dar várias orientações históricas do local) foi algo fabuloso.

Toda a região é rica em monumentos, edificações e lugares históricos que dão ar de impulso turístico com o novo plano do Marketing Estatal.












Potencial Agrícola

O potencial agrícola da região sendo explorado também é um fato observado em nossa expedição.

Plantações de arroz ao longo da Nacional # 6, além de outros cultivos como a banana e o côco evidenciaram a luz na direção da reconstrução e desenvolvimento da Primeira República do Novo Mundo, e que, agora, parece estar dando sinais de uma democracia real e concreta.


Escola de Ensino Fundamental - UNICEF

A participação de Agências Internacionais, como a UNICEF, também foi percebida durante a expedição. Especialmente na Comuna de Capottille, cerca de 20 km de Quanaminthe - fronteira com a República Dominicana. O acesso à comunidade é precário, porém, ao chegarmos nos deparamos com casas simples, mas bem cuidadas, ruas limpas pelos próprios moradores, muros baixos de cerca viva (cactos), reconstrução de prédios governamentais, e, o principal destaque, uma Escola de Ensino Fundamental Modelo, pronta, em funcionamento, no interior do interior do Haiti.





Ainda há muito, mas, muito para ser feito, efetivado e consolidado Por Um Novo Haiti...


Minha intenção não provocar ou estimular o leitor a passar olhar o Haiti somente pelo prisma do otimismo. Não! Porém, o pessimismo que tomou conta da visão internacional sobre essa Nação também não pode continuar prevalecendo, especialmente, pelos olhos daquela que é a portadora do poder de Deus para a transformação de todo aquele que crer: o Evangelho é, e continua sendo, esse Poder!

O realismo com o qual temos experimentado, nos permite ver (e conviver com) as fragilidades e mazelas de um Estado que somente a pouco mais de oito anos tem conseguido eleger seus representantes para o poder legislativo e executivo sem sofrer com a triste marca histórica dos sucessivos golpes militares, guerra civil e ditaduras. Vamos, lentamente, caminhando para o final do segundo governo eleito pelo povo! Isso é muito novo para um país - quem conhece, que conte a "História do Brasil" - hoje, 6º maior economia do mundo!

Ao longo dessa expedição também vimos que a ligação entre a capital e a segunda maior cidade do país e principal região histórica e turística, foi pavimentada somente até a metade: os outros 101 km entre Gonaïves e Cap Haitien foram feitos em 4 horas - acredite se quiser! Os alunos da Universidade Haitiana ou são explorados no transporte que mais lembra a versão brasileira do "pau-de-arara", ou se arriscam em caronas nas traseiras de caminhões e pick-ups, ou ainda caminham várias horas para chegarem ao seu destino. O mesmo acontece com os trabalhadores de Caracol: recebem duzentos gourdes por dia trabalhado (quando a lei manda que seja pago, no mínimo, 300 HTG), e o tap-tap cobra outros duzentos para levá-los e trazê-los do Parque Industrial que fica no litoral - distante até 20 km das suas novas casas - diga-se de passagem, que ainda não dispõem nem de acesso a água encanada ou energia elétrica; quiçá, rede de esgoto: 0% no país! A nova escola de Capottille ainda é uma exceção e a taxa de crianças fora das salas de aula ainda está acima dos 45%, sem contar com o analfabetismo para os maiores de 15 anos: 54%. Os monumentos históricos, as belas praias e a riqueza natural estão lá, mas, a impressão é que isso ainda não é riqueza nem para o Estado, nem para a Sociedade Civil, e nem para a Igreja Haitiana - presente em todos os recantos que fomos de modo significativo, mas, ausente na vida e transformação comunitárias tão necessárias a um Novo Haiti.

Por tudo isso, digo a você: AMO O HAITI! (Amor não é sentimento, paixão o é!)

Esse é um dos lugares onde Deus está realizando seu projeto, e eu não quero ficar fora do que Ele está fazendo por aqui! E você?

Se desejar se envolver, acesse: http://www.voluntariosemcampo.org.br/, e aproveite bem as oportunidades!

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