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Sandy: Haiti pede socorro à comunidade internacional


Furacão Sandy fez transbordar o rio Croix de Mission, inundando zona residencial de Porto Príncipe
REUTERS/Swoan Parker

RFI

Uma semana depois da passagem do furacão Sandy, que devastou a agricultura e as estradas, matou mais de 50 pessoas, deixou 21 desaparecidos e mais de 10 mil desabrigados, o governo haitiano lançou um apelo por solidariedade. "Peço à comunidade internacional que venha ajudar as populações e completar nossos esforços para salvar vidas e bens", disse o primeiro ministro Laurent Lamothe.


De acordo com as estatísticas apresentadas pelo governo, o setor agrícola sofreu perdas da ordem de US$ 104 milhões. "Milhares de quilômetros de rotas agrícolas foram destruídos, milhares de cabeças de gado foram levadas pelas águas, que também devastaram milhares de hectares de plantações", afirmou o ministro da agricultura, Jacques Thomas.

Com isso, a segurança alimentar no país está ameaçada. "Nos próximos dias", estima o diretor do Conselho Nacional para a Segurança Alimentar (CNSA), Garry Mathieu, "haverá uma redução na disponibilidade local de alimentos, o que vai gerar uma alta nos preços dos produtos de base".

Embora haja uma reserva de água e comida, construída justamente para lidar com urgências deste tipo, além de uma remessa de US$ 8 milhões prometida pelo governo para a intervenção nas regiões afetadas, os recursos haitianos são insuficientes.

Até agora, a ajuda internacional chegou timidamente: a Venezuela se dispôs a construir 5 mil alojamentos e enviou três aviões e um navio, com 240 toneladas de alimentos. A França prometeu reconstruir sete pontes destruídas e o México ofereceu kits alimentares.

Sombra haitiana
Uma das razões para a escassez do auxílio foi a pequena atenção que a comunidade internacional deu à passagem do Sandy pelos Estados Unidos. Apesar de o furacão ter matado mais gente no Haiti do que no vizinho rico, a cobertura midiática, por exemplo, dedicou muito mais espaço à catástrofe norte-americana.

O International Herald Tribune de quarta-feira trouxe dezenas de matérias sobre os Estados Unidos, mas apenas uma coluna - redigida no México - ao Haiti. O principal canal de tevê francês, TF1, não enviou ninguém a Porto Príncipe. As explicações são diversas: desde a falta de recursos materiais para fazer a cobertura ("não há energia, as pessoas não fazem imagens com celulares, chegam poucas informações"), a questões burocráticas, como o fato de o Haiti só ter declamado estado de calamidade pública uma semana depois da passagem de Sandy, até razões míticas.

"(Nova York) é uma cidade que vive com o mito do apocalipse, que o 11 de setembro consolidou", disse à AFP o especialista em mídia François Jost. "E é uma cidade famosa pelo dinamismo. O contraste entre essa cidade enérgica, cheia de vida e o fato de que ela está vazia tem mais impacto que a situação haitiana".

Mas, enquanto a situação de Nova York se normaliza, os problemas no Haiti estão só começando. Passado o boom midiático do Sandy, é hora da comunidade internacional se voltar para quem mais precisa.

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