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Conheça os países mais problemáticos do mundo



Brasil/Mundo | Primeira Edição
R7

Jerome Delay/AP

Na foto, somalis coletam água no campo de refugiados em Dadaab, leste do Quênia.


A lista dos "Estados falidos" lançada anualmente em parceria entre a revista Foreign Policy e o Fundo pela Paz investigou 177 países e classificou 52 deles como "cartões postais do inferno".

Foram avaliados 120 pontos que indicam altos níveis de pobreza. Entre eles, estão os cuidados com a saúde, a falta de infraestrutura e a fome. Mas também foram levados em conta problemas como ditaduras, tensões étnicas e corrupção. No geral, o índice avalia a capacidade das estruturas estatais em fornecer condições básicas de sobrevivência — como saúde, habitação e segurança — ao cidadão.

O pior do mundo: Somália

Há muitas razões para a Somália estar no topo da lista de "Estado falidos" por cinco anos consecutivos. Apesar do reconhecimento internacional da Transição do Governo Federal que assumiu o controle da capital, Mogadishu, no ultimo mês de agosto, o grupo terrorista Al-Shabab ainda tem o controle de boa parte do país, incluindo as regiões de Somaliland e Puntland, no Norte do país.

De acordo com a revista Foreign Policy, a polícia da Somália nada tem feito contra as constantes ameaças de pirataria, sequestros e violência. Ano passado, o país sofreu com uma das mais fortes secas da década, que gerou fome e matou dezenas de milhares pessoas e desalojou outras centenas de milhares.

A Somália ainda é dona do índice mais alto do mundo de deslocados internos (migração): cerca de 16% da população.

Tropas da união africana estão trabalhando para trazer segurança à Somália, e sinais de crescimento em Mogadishu já podem ser vistos, o que traz esperança de mudança.

Há planos para aprovar uma nova constituição e eleger um novo presidente e primeiro-ministro ainda neste ano. Este será um teste crucial para o país.

2º - República Democrática do Congo

Nove anos após o término oficial da 2ª Guerra do Congo (1998 - 2003), a República Democrática do Congo realizou uma eleição presidencial, em novembro de 2011.

Mas a caótica votação, aliada à violência, corrupção e instabilidade, só salientou o fato de que o país, onde vivem 71 milhões de pessoas (sendo que 1,7 milhões delas estão desalojadas), permanece instável.

O vencedor das eleições, que não agradou a comunidade internacional, foi Joseph Kabila. Ele comandou a RDC desde que seu pai, o ex-presidente, foi assassinado em 2001. Apesar de Kabila ter se agarrado ao poder, ele não se adaptou as funções presidenciais.

O ex-líder rebelde Bosco Ntaganda, procurado pela Corte Criminal Internacional, continua a conduzir ataques contra civis e oponentes políticos sem ser punido. As ações dele são apenas uma parte da epidemia que sofre o país, principalmente em sua região leste, que recebeu o título de "capital mundial do estupro".

3º - Sudão

Em 2011, o já frágil Estado do Sudão literalmente se partiu em dois, quando o Sudão do Sul se declarou oficialmente independente, em julho, em um violento processo de separação.

As regiões produtoras de petróleo, localizadas ao longo da fronteira entre os dois países, são motivo de conflito entre as duas nações — o que tem agravado a crise e o número de refugiados.

O dois lados acusam um ao outro de estar dando apoio a violentos movimentos rebeldes internos, enquanto ainda existem sul-sudaneses presos na região norte.

As tensões aumentaram em abril deste ano, quando o regime de Cartum, capital do Sudão, lançou ataques aéreos em tropas terrestres que estavam na fronteira.

O líder do norte, Omar al-Bashir, demonstrou o seu desejo de "varrer" o seu adversário do sul, referindo-se a ele como um "inseto".

4º - Chade

A situação no Chade mostrou uma melhora em 2010, quando o presidente Idriss Déby e Bashir (líder do Sudão) encerraram o longo período de hostilidades entre as duas nações, principalmente na região de Darfur, localizada na fronteira.

Mas em 2011, ano do aniversário dos 50 anos de independência do Chade, Déby foi reeleito, pela quarta vez, e foi boicotado pelos partidos de oposição, que acusaram o presidente do partido de fraudar as eleições parlamentares.

Outro agravante é que o país da África central, assim como outros países da região do Sahel, tem sofrido graves crises de alimento.

Segundo a revista Foreign Policy, o jornalista Steve Coll descreveu o Chade, que se tornou produtor de petróleo em 2003, como "um cartaz para a maldição dos recursos".
Na foto, um campo de refugiados no Chade.

5º - Zimbábue

Depois de mais de três décadas do governo do ditador Robert Mugabe, acusado pelos massacres, assassinatos e por fazer campanhas contra fazendeiros brancos de origem europeia, o Zimbábue encontra-se devastado e está entre os cinco Estados mais falidos do mundo.

A hiperinflação que atingiu o país em 2008, registrada como a segunda mais alta da história mundial, deteriorou a economia do país.

Desde então, os índices econômicos vêm tem avanços, com um crescimento de cerca de 6% em 2011. Mas a política do Zimbábue ainda não está fortalecida. O líder da oposição, Morgan Tsvangirai, assumiu o poder de forma teórica.

O futuro do país depende de quem assumir o governo depois que Mugabe, de 88 anos, morrer.

6º - Afeganistão

Além de ser um dos países mais hostis para mulheres, o Afeganistão tem um presidente, Hamid Karzai, rodeado por intrigas e corrupção — sem contar as relações com o comércio de ópio.

O país é protagonista de uma das guerras mais longas da década, que ainda não tem perspectiva de chegar ao fim.

Mesmo que os Estados Unidos retirem as tropas até 2013, a devolução do poder aos afegãos não depende apenas da vontade da Otan, mas sim dos Talebãs que agem no Paquistão.

Devido a esses problemas, o Afeganistão pulou do número 11 da lista dos "Estados Falidos" de 2005, para o número 6, em 2011.

7º - Haiti

Já se passaram dois anos desde que os terremotos devastaram o Haiti, deixando o país em ruínas, tanto do ponto de vista econômico, quanto político e físico — com consequências que duram até hoje.

Eleito com promessas de reforma e desenvolvimento da infraestrutura, o ex-músico e atual presidente haitiano, Michel Martelly, completou um ano de mandato, marcado por denúncias de corrupção, disputas internas e a suspeita de que ele planeja tornar-se um ditador.

Países estrangeiros estão ajudando a reerguer o Haiti como um destino turístico. Contudo, as agitações sociais, políticas e econômicas ainda vinculam a imagem do país aos desastres de 2010, o que faz com que alguns turistas optem por outros destinos.

8º - Iêmen

Após 22 anos no poder, o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, deixou o cargo em novembro, devido aos protestos e altos índices de violência na capital Sanaa.

Mas as eleições realizadas no país em fevereiro só tiveram um candidato, o ex-vice-presidente Abdu Rabbu Mansour, que acabou sendo eleito. O fato demonstra a fragilidade da democracia local, que, de certa forma, manteve a mesma linha de governo.

Outro problema que ronda o país é a ação da Al-Qaeda na Península Arábica, que está tirando vantagem do caos político que se alastra por várias cidades do sul do Iêmen.

Para tentar conter o avanço das ações do grupo terrorista, militares governistas agem em conjunto com as Nações Unidas, intensificando os ataques contra alvos da Al-Qaeda.

9º - Iraque

Embora os índices de violência no Iraque tenham diminuído em relação a 2007, atentados e tiroteios ainda são frequentes no país.

O frágil governo do primeiro ministro xiita Nouri al-Maliki, que assumiu o poder alguns dias depois de as Nações Unidas completarem a retirada das suas tropas de segurança, em dezembro de 2011, teve o seu primeiro teste ao expedir um mandato de prisão contra o vice-presidente sunita Tareq al- Hashemen, acusando-o de fazer parte do esquadrão da morte.

Maliki, recentemente, conseguiu alguns avanços para o país. A produção de petróleo é a mais alta em décadas, e o PIB do Iraque dobrou entre 2010 e 2011.

Recentemente, um carro-bomba explodiu em frente a um mercado popular, deixando mortos e feridos.

10º - República Centro-Africana

A RCA (República Centro-Africana) foi qualificada pela Associated Press como uma nação "desesperadamente pobre" — apesar dos ricos depósitos de minério — e onde "os bandos armados e os insurgentes dominam o interior do país".

O Escritório do Exterior Britânico da Commonwealth recomendou aos visitantes evitar "viagens não essenciais" para a maior parte do país, e o Lonely Planet, publicação do ramo de turismo, chamou o país de África "real", devido ao "subdesenvolvimento, fragmentação e pobreza".

Uma jornalista dinamarquesa também deu o seu depoimento sobre a RCA, dizendo que "se pode comprar a embaixada do país", como sátira a suas frequentes corrupções.

11º - Costa do Marfim

A Costa do Marfim é um país que sofreu com graves problemas políticos e de violência, no ano de 2011. O ex-presidente, Laurent Gbagbo, manteve-se no poder por cinco meses, mesmo após perder as eleições, que aconteceram em novembro.

Nesse período, Gbabo ordenou a morte de mais de três mil opositores, até abril, quando foi preso pelas tropas aliadas ao seu opositor, Alessane Ouattara. Sua prisão aconteceu antes que a Corte Criminal Internacional pudesse incriminá-lo por crimes contra a humanidade.
O governo de Gbabo deixou o país com sérios problemas econômicos devido às sanções econômicas e à queda de investimentos estrangeiros, deixando vários cidadãos desempregados.




Na foto, crianças garimpam em busca de ouro
às margens do rio Iga Barriere, região leste do Congo


Na foto, um campo de refugiados no Chade.

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