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Ao contrário do Acre e Amazonas, Rondônia não oferece capacitação

Diário da Amazônia


11:58:47 | Segunda-Feira, 05/03/2012

Mesmo com o grande número de haitianos em Porto Velho, ao contrário dos Estados do Acre e Amazonas, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro) ainda não disponibiliza cursos de capacitação para este público. Até o momento, de acordo com o reitor em exercício, Jackson Nunes, não houve uma demanda específica intermediada por organizações federais, associações e cooperativas.

O reitor acredita que neste primeiro momento, a maior preocupação do Estado de Rondônia seja a regulamentação da documentação dos haitianos, já que sem ela não há como realizar a certificação de cursos de capacitação. Segundo a pró-reitora do instituto, Marilise Esteves, o Ministério do Trabalho tem recebido muitos haitianos que procuram a superintendência para a regularização da carteira de trabalho, que no caso dos estrangeiros é especial. “Provavelmente, a gestão está fazendo esse levantamento feitos em outros estados”, disse o reitor em exercício.

De acordo com Jackson, os institutos federais do Acre e Amazonas, estão mais evoluídos que de Rondônia, pois foram os primeiros Estados do Brasil que serviram de porta de entrada para migração da população haitiana, após o terremoto, em 2010, que devastou o Haiti. Desde ano passado, o Ifro do Amazonas oferece por meio do programa Mulheres Mil vários cursos de capacitação para haitianos.
Logo no inicio do curso, as mulheres tiveram aula de língua portuguesa, história do Amazonas, geografia e em seguida noções de relações humanas, direito, saúde da mulher e segurança do trabalho. Já em relação ao Acre, o que impulsionou instituto da localidade oferecer cursos de capacitação foi as enchentes dos municípios de Brasiléia e Assis Brasil, que resultou no levantamento sobre a situação dos estrangeiros que estavam em processo de migração no Acre. “Nesse momento o pessoal de lá ficou frente a frente com esta população”, conta a pró-reitora.
Mesmo ainda não ofertando cursos de capacitação para os haitianos na Capital, Marilise ressaltou que a mobilização do instituto na ação humanitária Brasil e Haiti, é trabalhada desde fevereiro de 2010, logo após o terremoto que atingiu o país. “Naquele momento os institutos federais receberam uma comunicação do Ministério da Educação (MEC) para se organizar em trabalhos voluntários e professores técnicos, que pudessem ajudar na elaboração de um programa de capacitação para haitianos no próprio Haiti e de reconstrução física”.

DEMANDA

O reitor do Ifro em exercício, Jackson Nunes, acredita que com a demanda de haitianos na Capital, as secretarias municipais e estaduais que trabalham com a área social devem estar se organizando de alguma forma. “Através disso, vamos realizar parcerias para ofertar os cursos”, comenta.
A pró-reitora Marilise falou que de acordo com o acesso do público haitiano ao instituto, eles poderão identificar quem é essa comunidade, idade, escolaridade, para então fazer o levantamento diagnóstico e saber quais os cursos ofertar para este tipo de público. “Pensamos em línguas e atividades de instrução continuada”, relata.
Para o reitor Jackson, o que Porto Velho está oferecendo hoje aos haitianos são trabalhos na área de construção civil. “Tem que se focar na necessidade que eles têm. Onde tem oferta de emprego. Não adianta eu capacitar um haitiano em outro curso que não fará o uso dele”, afirma. Esse pensamento é compartilhado por Marilise. “Temos pensar em cursos aqui de edificações da área técnica”, disse. Outro programa que Marilise Esteves acredita que o público haitiano se encaixaram é o Programa Mulheres Mil, que abrirá novas vagas até o meio do ano. “Lá em Manaus quando abriu a população já tinha acessado e estava sabendo.

Aqui acredito que até junho com todo esse processo de identificação e levantamento, deve trazer este tipo de público. Existe toda uma movimentação para acolher e ajudar”, comenta.

HAITIANOS ANSIOSOS POR CURSOS

Enquanto, o Estado e município não se organiza para ofertar capacitação aos haitianos,esse público espera ansioso pelas oportunidades. A costureira e haitiana Juanita Julia, 35 anos, chegou na semana passada, em Porto Velho e não vê a hora de conseguir um emprego na área. Juanita disse que está à procura de um curso de capacitação. “Precisamos de ajuda das pessoas e do governo”, afirma ela que mora em um albergue, no bairro liberdade.
Já Charles Rosny está mais tranqüilo que sua colega de albergue. Há quase três meses na Capital, Charles está trabalhando, com carteira assinada, como auxiliar de obra em uma empreiteira. “Ganho mil reais e mando dinheiro para os meus cinco filhos e minha esposa que estão no Haiti”, conta. Para ele, é preciso que Rondônia ofereça o mais rápido possível cursos de capacitação aos haitianos.

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