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Brasil-Haiti: 3,9 mil haitianos terão formação na área da saúde

PNUD Brasil

Projeto de cooperação prevê bolsa de incentivo para capacitação de técnicos locais que irão atuar em centros de saúde do país


O Haiti ganhará em breve uma ferramenta importante para o combate às deficiências na área da saúde, agravadas pelo terremoto que atingiu o país em 2010. Está em discussão, no âmbito do projeto de cooperação entre Brasil, Cuba e Haiti, a implantação de uma Escola Técnica de Saúde que formará técnicos locais para atuar nas redes pública e privada do país, ambas carentes de profissionais qualificados.

A ação prevê a formação de 3,9 mil haitianos. Eles receberão uma bolsa de estudo individual no valor de US$ 150 (cerca de R$ 250, pela cotação atual) por mês para incentivar a adesão e permanência no curso. Os recursos serão desembolsados pelo governo brasileiro ao Ministério da Saúde de Porto Príncipe por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Já a expertise técnica será oferecida de forma compartilhada entre brasileiros e cubanos.

“O Haiti sofre com a falta de agentes públicos de saúde, e esta iniciativa visa prover um contingente de pessoas qualificadas para operar as novas unidades de saúde do país”, explica Joaquim Fernandes, Oficial de Programa do PNUD. Ele acrescenta que os técnicos que não forem aproveitados na rede pública serão deslocados para a iniciativa privada.

O projeto também contempla a formação de agentes comunitários, baseado na experiência brasileira desenvolvida nesta área. Com isso, a expectativa é poder estender o atendimento de saúde aos locais mais remotos do país. “Em princípio, a idéia é cobrir a região de Porto Príncipe, em especial as comunidades de Bon Repos, Carrefour e Beudet. Após o término do projeto, a expectativa é que o governo haitiano assuma outras regiões”, destaca Fernandes.

Dez meses após a ocorrência do terremoto, o Haiti foi atingido por uma epidemia de cólera caracterizada como um dos maiores surtos da doença a atingir um único país na história moderna. A partir de meados de dezembro do ano passado, foram reportados mais de 520 mil casos e cerca de 7.000 mortes. Segundo estimativas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), aproximadamente 200 novos casos de cólera por dia são registrados.

Além das ações de capacitação, a cooperação firmada entre os três países e implementada pelo PNUD Brasil prevê a construção de Hospitais Comunitários de Referência (HCR) e reformas de unidades de saúde. Já foram feitos estudos topográficos, geotécnicos e de impacto sócio-ambiental e também nivelamento e preenchimento do terreno em duas áreas onde serão construídos os hospitais (Bon Repos e Beudet). A reforma de um laboratório de órtese e prótese está prevista para ser concluída em junho. No total, o governo brasileiro, através do Ministério da Saúde e com apoio do PNUD Brasil, vai investir cerca de R$ 100 milhões no projeto.

Presidenta Dilma visita tropas da ONU

Em visita a Porto Príncipe nesta quarta-feira (2), a presidenta Dilma Rousseff foi apresentada ao contingente brasileiro da MINUSTAH - Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. No discurso aos militares brasileiros que atuam na força de paz das Nações Unidas no país, a presidenta ressaltou o serviço inestimável à estabilidade e à segurança do Haiti e lembrou as vítimas do terremoto de janeiro de 2010.

“Estou certa de que o trabalho do atual contingente se beneficia muito da dedicação, da coragem e do patriotismo dos milhares de militares que os antecederam”, disse a presidenta. “O Brasil é grato a todos eles e lembra com pesar, com orgulho e com especial apreço dos militares e civis que perderam suas vidas no Haiti, inclusive no trágico terremoto de 2010. A eles, nossas homenagens.”

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