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Haitianos já removeram quase metade dos escombros do terremoto de 2010

PNUD Brasil

Nova York/Porto Príncipe, 20/10/2011

Um ano e nove meses após a tragédia, a remoção e a reciclagem de entulho se mostram vitais para a reconstrução do país; haitianos estão no centro do processo coordenado pelo PNUD




Mais de 40% dos 10 milhões de metros cúbicos de entulho gerados pelo terremoto que atingiu o Haiti no ano passado já foram removidos do país. A operação é uma das maiores do gênero já realizada pelas Nações Unidas e seus parceiros, sob a coordenação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“Tem sido uma tarefa colossal”, disse Jessica Faieta, diretora do PNUD Haiti. “Nos últimos 20 meses temos trabalhado sem parar com o governo haitiano, organizações da sociedade civil, entidades internacionais e principalmente com membros da comunidade, nessa limpeza de proporções épicas”.

Faieta considera que o progresso realizado desde o terremoto de 12 de janeiro do ano passado deve ser medido de acordo com a grande escala de problemas enfrentados pela nação - a mais pobre de todo o hemisfério Ocidental -, em um desastre que tirou a vida de 200 mil pessoas e que destruiu parte vital da infraestrutura do país.

Mais de 80 mil casas e prédios na capital Porto Príncipe e nos arredores desabaram após o terremoto de magnitude 7,0, deixando um rastro de destruição em forma de concreto, aço e outros detritos. O volume dos destroços equivale a 4 mil piscinas olímpicas. Um ano após o evento, cerca de 2 milhões de metros cúbicos de detritos haviam sido retirados.

Em conjunto com o governo haitiano, o PNUD coordena as atividades com quase 50 parceiros no país. Organizações não-governamentais, setor privado e agências irmãs do Sistema ONU trabalham para mapear os locais em que as iniciativas de remoção de entulho são necessárias.

“As iniciativas de remoção de detritos são parte fundamental do processo de reconstrução do Haiti”, disse Nigel Fisher, coordenador das atividades humanitárias e do Sistema ONU no país.

“Estamos trabalhando para a recuperação dos distritos mais afetados e para a melhoria das condições de vida da população através do acesso a serviços básicos, permitindo que os haitianos possam voltar para casa em segurança”.

A ONU também apoia o governo na finalização da Estratégia Nacional de Gerenciamento de Detritos. A estratégia está sendo desenhada para estabelecer ferramentas e procedimentos para remoção e reciclagem de entulho, além de preparar parceiros do governo e do terceiro setor para desastres dessa natureza.

Guiado pelo plano nacional, o governo espera aprovar outros centros de processamento de detritos na capital – atualmente, há uma única estação desse tipo, localizada a duas horas de carro das áreas mais afetadas em Porto Príncipe. Com os novos centros, estima-se que ao menos 50% do entulho possa ser triturado e moído para servir de base na reconstrução de casas, rodovias e pavimentação dos bairros.

Como boa parte das comunidades afetadas encontra-se em morros e encostas, um dos grandes desafios das operações envolve o transporte de equipamentos e maquinário pesado até os locais, o que exige que o trabalho seja feito, em muitos casos, de forma manual.

Em parceria com o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Escritório da ONU de Serviços para Projetos (UNOPS), mais de 7 mil haitianos foram treinados e contratados para realizar serviços de remoção manual e mecânica de escombros, reciclagem, serviços elétricos, carpintaria e construção civil.

O projeto foi aprovado e financiado pelo Comitê Interino de Reconstrução do Haiti, formado por oficiais do governo haitiano, e outros importantes parceiros internacionais, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton.

“A participação e o envolvimento da comunidade são essenciais. Os haitianos devem estar no centro do processo de reconstrução de seu país – o seu treinamento e empoderamento são cruciais para que eles mesmos possam gerenciar com sucesso a recuperação do terremoto”, disse Faieta.

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