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Haitianas fazem do esporte cura e esperança: ‘Só precisamos de apoio'

globoesporte.com
Por Gabriele Lomba
Direto de Guadalajara, México

É muito difícil escolher: sacrificar a comida ou treinar?', lembra saltadora, uma das duas únicas mulheres entre os 12 atletas que disputaram o Pan

É difícil saber se o olhar tristonho traduz apenas a derrota na luta da repescagem. Com voz rouca, relembra aquela terça-feira, 12 de janeiro de 2010, dia em que um furacão destruiu seu país. Naquela época, ainda morava lá. Linouse Desravine só muda o semblante e abre um sorriso quando Pascale Delaunay, com um inglês de quem mora desde os 10 anos nos Estados Unidos, se confunde nos idiomas. A atleta do salto triplo tentava ajudar a judoca a se comunicar. Um pequeno gesto de amizade entre duas cidadãs de um país que sobrevive com doses de solidariedade. Elas são as únicas mulheres entre os 12 haitianos que disputaram os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara.



Judoca Linouse após a derrota na repescagem da meio-leve
(Foto: Gabriele Lomba / GLOBOESPORTE.COM)

Pascale, de 29 anos, competiu na sexta-feira e terminou em 13º entre as 15 atletas. No dia seguinte, foi acompanhar as lutas de Linouse, de 20. É a primeira grande competição desde a tragédia, desde que a judoca, que só fala francês e crioulo, deixou sua pequena cidade e foi treinar em Valência, na Espanha.

- Estava em casa, escutei um barulho muito assustador para todo mundo. Perdi três tias e alguns amigos judocas – diz a haitiana.

Linouse sente saudade de casa, mas sabe que não há condições de voltar. Segura o aperto no coração pelo sonho de continuar no esporte.

- Vou ficar lá até ter condições de me preparar melhor. Sinto falta, mas no Haiti não há lugar para treinar. Tudo ficou destruído. Só dá para treinar uma ou duas vezes por semana.

Pascale e Linouse, únicas haitianas no Pan
(Foto: Gabriele Lomba / GLOBOESPORTE.COM)

Pascale deixou Porto Príncipe ainda menina. Um ano antes da tragédia, deixou Los Angeles e foi visitar a família. A casa é uma das únicas que ficaram intactas. O pai, arquiteto, tomou cuidados especiais ao construi-la. Mas nem assim pôde evitar que parte da família perdesse a vida no terrremoto.

- Ficamos uns três dias para saber onde nossos familiares estavam. Eu perdi alguns tios e tias e minha bisavó - conta.

Pascale sonha voltar ao Haiti, ser um exemplo. Com o governo reestabelecido, acredita que será possível ser atleta sem ter de deixar o país.

- Quero voltar para ajudar o meu país a se reconstruir. Morando nos Estados Unidos há tanto tempo, vejo que não há nada que não podemos fazer porque somos haitianos. Se há uma coisa sobre os haitianos é que trabalhamos e duro e temos muito talento. Com oportunidade, podemos explorar nossos talentos e realmente progredir. Meu maior sonho é ir à final nas Olimpíadas e mostrar a todos que o Haiti tem grandes atletas. Só precisamos de apoio.

Morar fora do país não é mais uma escolha, é a única forma de manter o esporte do país vivo, mesmo de longe. Os atletas estão espalhados pelo mundo, graças a ajudas internacionais. Os judocas estão na Espanha; os tenistas, nos Estados Unidos; halterofilistas, na República Tcheca.

"Ficamos uns três dias para saber onde nossos familiares estavam. Eu perdi alguns tios e tias e minha bisavó" - diz Pascale.

- Tirando o dinheiro, não vejo nada nos Estados Unidos que não tenha no Haiti. Acredito que as coisas vão melhorar e poderemos ter nossos próprios treinamentos. Sei que não sou a única garota que pratica atletismo no Haiti, mas temos apoio do governo para representar o país? É muito difícil não ter apoio, não ter dinheiro. É muito difícil ter de fazer essa escolha: devo sacrificar a comida ou treinar?

Pascale deve ter em Londres sua última chance de disputar uma edição dos Jogos Olímpicos. Mais uma chance de mudar a história do país.

- Uma das coisas de que nós, atletas, temos em comum é que temos orgulho e desejo enormes e fome de mudar e ver o Haiti se reerguer. Achamos que podemos fazer isso. Queremos melhorar sempre e botar o Haiti em melhor condição, para não ser sempre “Haiti, o país pobre”.

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