Pular para o conteúdo principal

Começa o processo de retirada do Haiti

Expresso.pt

Os países da América do Sul concordaram em reduzir a sua presença no Haiti. A decisão coincide com um escândalo em que militares uruguaios terão abusado de um adolescente haitiano.

Reunidos no Uruguai, os ministros da Defesa e os chanceleres da América do Sul alcançaram dois grandes consensos sobre a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), que atua desde 2004. Por um lado, a força de paz deve ser reduzida gradualmente a partir de 15 de outubro, quando o mandato deve ser renovado. E, por outro, essa redução deve ser coordenada com a ONU e com o governo haitiano para não gerar o caos.

"Devemos ter uma atitude responsável em relação ao Haiti e a nós mesmos até porque também sacrificamos vidas nessa operação", explicou ao Expresso Celso Amorim, ministro da Defesa do Brasil, país que lidera a missão.

Tanto o chanceler uruguaio, Luis Almagro, quanto o chefe da missão da ONU no Haiti, o chileno Mariano Fernández, afirmaram que o contingente no país mais pobre das Américas deve voltar ao patamar anterior ao devastador terramoto de janeiro de 2010.

Fernández anunciou que em 16 de setembro vai apresentar uma proposta de redução gradual do número de efetivos aos 15 países que integram o Conselho de Segurança da ONU, porque "o contingente pós-terramoto já cumpriu a sua tarefa de segurança e de estabilidade". Antes do sismo que provocou mais de 200 mil vítimas, a missão tinha 9000 militares e polícias; depois, passou para 12.270 efetivos.
A pensar na retirada final


Embora ainda não exista um cronograma, Almagro arriscou um horizonte de três ou quatro anos até a retirada final, quando o Haiti assumiria completamente a responsabilidade pela paz, pela segurança e pelos desenvolvimentos económico, social e institucional, hoje nas mãos da MINUSTAH.

Juntos, nove países da região respondem por 44% da missão que envolve um total de 18 países. O Brasil tem o maior contigente (2166 efetivos) e tem o comando militar da missão.

Embora o desenvolvimento social esteja longe de ser alcançado, o Governo brasileiro entende que já foram superadas as grandes incertezas de paz, de segurança e de democracia com duas eleições realizadas.

O sucesso da missão é crucial para os planos de afirmação do Brasil como um ator global e para fortalecer a sua luta por um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Escândalo mancha missão

A reunião de ministros em Montevideu, para discutir o futuro da missão no Haiti, coincidiu com o escândalo provocado pela divulgação de um vídeo no qual cinco militares uruguaios abusam moral e, supostamente, sexualmente de um jovem haitiano de 18 anos. As imagens foram captadas por um telemóvel em 28 de julho, mas só esta semana foram tornadas públicas.

Investigações paralelas da ONU e da Marinha uruguaia apontam para "má conduta", mas não abuso sexual. Porém a Rede de Defesa dos Direitos Humanos do Haiti e a família da vítima garantem que o adolescente foi violado duas vezes.

Outro militar uruguaio já tinha engravidado uma menor haitiana. Terá de sustentar a jovem e o futuro filho.
Vírus chegou do Nepal


Várias manifestações populares, nos últimos dias, no Haiti pediram a retirada da MINUSTAH. No ano passado, a ONU também foi alvo de vários protestos durante a epidemia de cólera que matou cerca de 6000 haitianos. Os militares do Nepal foram acusados de levarem o vírus para o Haiti.

O Presidente do Uruguai, José Mujica, pediu desculpas ao Presidente do Haiti, Michel Martelly, e classificou a conduta dos cinco uruguaios como "criminosa e constrangedora". O Presidente do Uruguai disse sentir-se "envergonhado" e prometeu que "os culpados serão punidos com o máximo rigor".

Para o ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, este tipo de situações é "lamentável", mas "não se pode contaminar toda a missão de paz por causa de um episódio específico".

Postagens mais visitadas deste blog

As Bolachas de Barro existem mesmo no Haiti ?

Logo que comecei a pesquisar e ler sobre o Haiti, depois de janeiro 2008, sempre ouvi falar (e ler) sobre as tais Bolachas de Barro que os haitianos comiam por causa da miséria e não terem nada mais para comer. Quando aqui pisei pela primeira vez, em julho de 2009, junto com Verônica, essa era uma das "coisas" que a gente planejou ver, mas, mesmo indo a umas oito comunidades diferentes, da Capital e no Interior, passado um dia inteiro com amigos militares dentro das Instalações do BRABAT, e ainda pernoitado na casa de amigos haitianos antes de retornarmos ao Brasil via República Dominicana, não nos deparamos com ninguém que as comesse ou mesmo vendesse.

Nas duas experiências seguintes (outubro 2010 e janeiro 2012) também não encontramos nenhum vestígio dos tais "biscoitos de barro haitianos". Mas, enfim, em 2014, durante um programa sócio-missionário desenvolvido em parceria com a 2ª Companhia de Força de Paz do BRABAT, em Cité Soleil que durou 5 dias, ao visitarmo…

Moringa e Chocolate "Made in Haiti" chegam ao Mercado Norte-americano

Porto Príncipe, 25 de fevereiro de 2016.
Por Haiti Libre

Dois novos produtos haitianos estreiaram no mercado Norte-americano no começo de fevereiro através da Rede "Whole Foods Market", em escala nacional: a "Moringa Green Energy", das Indústrias Kuli Kuli, e as barras de chocolate "Taza Chocolate". Os ingredientes destes dois produtos são comprados diretamente de pequenos produtores agrícolas do Haiti. Este acesso direto ao Mercado, combina ajuda aos agricultores melhorando e desenvolvendo suas capacidades, o que significa um aumento da renda, e beneficiamento dos consumidores nos Estados Unidos de produtos de alta qualidade.
No caso da Moringa, a pioneira é a Organização sem fins lucrativos "Smallholder Farmers Alliance (SFA)", com o apoio da Fundação Clinton. E para os grãos de cacau utilizados na fabricação das barros de chocolate, é a Companhia "Produits des Iles S.A (PISA)".
"Nós ajudamos a conectar os agricultores haitianos di…

Brasil deixará Haiti em 2016: 'Serei o último a partir', diz general

Luis Kawaguti Da BBC Brasil em São Paulo
23 outubro 2015



"Em outubro de 2016, as últimas tropas da ONU vão partir do Haiti. Vou ficar para o último avião e encerrar a missão militar", afirma à BBC Brasil o general brasileiro Ajax Porto Pinheiro, que assumiu há cerca de dez dias o cargo de comandante-geral das forças da ONU no país caribenho e coordenará no próximo domingo a segurança das eleições presidenciais haitianas.

O Conselho de Segurança da ONU determinou neste mês que a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti) termine no dia 15 de outubro de 2016, ocasião em que a comunidade internacional espera que um novo presidente haitiano já esteja exercendo seu mandato.

O Brasil comanda o setor militar da missão desde seu início em 2004. Até agora, o governo brasileiro previa que seus 850 militares começassem a voltar para casa em algum momento no ano que vem. Mas uma data oficial não havia sido estabelecida.

Até outubro de 2016, a missão será mantida com o …