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Oferecer chocolate pode incitar violência entre haitianos


Notícias do Terra - 19 de janeiro de 2011  10h39  atualizado às 10h45

Para as crianças ávidas por um chocolate, uma simples foto pode compensar a negativa do doce e trazer o sorriso de volta aos rostos. Foto: Laryssa Borges/Especial para Terra
Para as crianças ávidas por um chocolate, uma simples foto pode compensar a negativa do doce e trazer o sorriso de volta aos rostos
Foto: Laryssa Borges/Especial para Terra

    LARYSSA BORGES
    Direto de Porto Príncipe
    "Hey, you, chocolat", gritam crianças haitianas subnutridas aos capacetes azuis das Nações Unidas e àqueles que os adultos consideram quase "turistas da miséria" - repórteres, fotógrafos e artistas estrangeiros que visitam desabrigados e desalojados. O apelo por um agrado doce - motivado por soldados americanos a partir da ocupação do país em 1997 - é veementemente reprimido pelas atuais tropas da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti).
    Qualquer gole de refrigerante dado a um dos milhares de órfãos da nação caribenha - estima-se que 380 mil crianças já estavam nessa condição antes do terremoto que devastou a ilha em 2010 - pode dar início a tumultos, quebra-quebra, violência e morte entre os necessitados, em especial contra o beneficiado pelas gotas de uma das Coca-Colas em poder da ONU.
    No auge da barbárie pós-terremoto, aqueles que saqueavam mercados semi-demolidos eram sumariamente assassinados. Eram relativamente frequentes tiros nas cabeças de crianças, adultos, homens ou mulheres. Um ano depois do pior tremor de terra da história do país, o receio é que a população volte a níveis de instabilidade próximos ao do início de 2010.
    Para as crianças ávidas por um chocolate, entretanto, uma simples foto pode compensar a negativa do doce e trazer o sorriso de volta aos rostos marcados por tragédias naturais e turbulências políticas. Se organizadas, elas formariam uma fila apenas para posarem aos estrangeiros. Na atual condição de ser um dos 56 mil habitantes do campo de desabrigados de Jean Marie Vincent - o maior de Porto Príncipe -, por exemplo, elas apenas se aglomeram diante dos forasteiros e posam orgulhosas: algumas nuas, outras maltrapilhas com enfeites improvisados nos cabelos.
    A realidade para além de momentos de distração para os pequenos haitianos é, no entanto, desoladora. O Unicef, fundo das Nações Unidas pela infância, estima que 4 milhões delas vivem em condições extremamente precárias. 380 mil são moradoras de um dos 123 campos de desabrigados e desalojados.

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