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Haiti chora os mortos do terremoto de 12 de janeiro de 2010


12 de janeiro de 2011  10h19

AFP




Os haitianos choram nesta quarta-feira os quase 250 mil mortos deixados há um ano pelo terremoto que devastou a capital, enquanto rezam para que seu castigado país possa enfrentar as adversidades e siga em frente.
Espera-se que uma multidão assista a uma missa católica prevista para ocorrer na catedral - destruída - de Porto Príncipe na manhã desta quarta-feira, para rezar pelos 220 mil mortos do terremoto de magnitude 7 registrado no dia 12 de janeiro de 2010.
A barulhenta vida das ruas típica deste país caribenho dará lugar a uma reflexão sombria, com um minuto de silêncio às 16H53 (19H53 de Brasília), o momento em que o terremoto ocorreu, quando serão lançados balões brancos e após o qual as cerimônias em memória da tragédia terão fim.
O Haiti começou na terça-feira a lembrar o primeiro aniversário do terremoto, com a visita de funcionários de alto escalão do governo do presidente em fim de mandato, René Preval, a uma vala comum situada nos arredores de Porto Príncipe, onde muitas vítimas do terremoto foram colocadas.
Doze meses após a catástrofe, o país mais pobre da América segue sem recuperar-se. Os cerca de 800 mil refugiados confirmam isso.
O país está submerso em uma crise econômica e as infraestruturas estão destruídas. Soma-se a isso uma epidemia de cólera iniciada na metade de outubro que, segundo os últimos dados do ministério de Saúde Pública, causou a morte de 3.759 pessoas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença ainda não atingiu seu auge.
O ex-presidente americano Bill Clinton, coordenador da ajuda externa ao Haiti, chegou na terça-feira à capital haitiana e declarou-se "frustrado" pela lentidão da reconstrução do país.
Enquanto isso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou a "comunidade internacional a continuar apoiando o povo haitiano".
O presidente americano, Barack Obama, instou, por sua vez, a comunidade internacional a cumprir com suas promessas de ajuda ao Haiti, e garantiu que os Estados Unidos mantêm-se como aliados "confiáveis" de Porto Príncipe.
Estas 48 horas de homenagens ocorrem em meio a uma crise política pela impugnação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais, realizadas no dia 28 de novembro no Haiti.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciou que a entrega do relatório crucial sobre as eleições, onde recomenda a saída do candidato governista, ficou suspensa para não perturbar o evento solene desta quarta-feira.

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